O Firefox é um dos poucos navegadores que ainda resiste ao domínio do Chromium — o motor por trás do Chrome, Edge, Brave, Opera, Vivaldi e boa parte do mercado. Mas o que muita gente não sabe é que o Firefox não está sozinho nesse lado da força. Existe toda uma família de navegadores construídos em cima do mesmo motor, o Gecko, cada um com uma proposta diferente.

Alguns focam em privacidade radical. Outros preferem ser mais leves. Tem aquele que você usa para não ser rastreado de jeito nenhum e tem até um que vai te fazer querer jogar fora a barra de abas do topo da tela.

Vamos conhecer cada um teles.

LibreWolf — o Firefox do jeito que deveria ser

Se você quer um Firefox com as configurações de privacidade já ajustadas desde o primeiro uso, o LibreWolf é o que você procura. Ele remove a telemetria da Mozilla, bloqueia rastreadores por padrão e já vem com o uBlock Origin instalado. A ideia é simples: pegar o Firefox, tirar tudo que coleta dados, apertar os parafusos de segurança e entregar pronto para o usuário. Para quem não quer passar horas no about:config ajustando configurações, é uma boa pedida.

Ponto fraco: por ser tão restritivo, alguns sites podem se comportar de forma estranha, especialmente os que dependem de muito JavaScript ou rastreadores para funcionar direito. Fora isso, as atualizações chegam um pouco depois do Firefox oficial.

Waterfox — para quem quer leveza e legado

O Waterfox surgiu lá em 2011 com uma proposta bem específica: oferecer uma versão de 64 bits do Firefox quando a Mozilla ainda não tinha isso. O tempo passou, o Firefox evoluiu, mas o Waterfox continuou existindo — e hoje tem dois ramos diferentes. O Waterfox G6 é baseado numa versão mais recente do Firefox. Já o Waterfox Classic é para os saudosistas que querem continuar usando as extensões antigas que pararam de funcionar no Firefox moderno, quando a Mozilla mudou a forma como os complementos funcionam.

Ponto fraco: a equipe por trás é bem pequena e as atualizações não são tão frequentes quanto deveriam. Para uso no dia a dia onde segurança é prioridade, pode gerar um pouquinho de preocupação.

Tor Browser — privacidade levada a sério

O Tor Browser não é bem uma alternativa casual ao Firefox. Ele é uma ferramenta específica para quem quer anonimato de verdade na internet. Funciona roteando o tráfego por uma rede de servidores espalhados pelo mundo (a rede Tor), o que torna muito difícil rastrear quem está acessando o quê. Ele já vem configurado para não deixar rastros: não salva histórico, não aceita cookies persistentes, bloqueia JavaScript por padrão nas configurações mais altas de segurança.

Ponto fraco: é lento. Esse é o preço do anonimato. Por causa de como o tráfego é redirecionado, a navegação é consideravelmente mais pesada do que o normal. Não é navegador para uso geral, mas cumpre muito bem o que se propõe a fazer.

Mullvad Browser — privacidade sem a lentidão do Tor

O Mullvad Browser surgiu de uma parceria entre o Projeto Tor e a Mullvad, empresa sueca conhecida pelo serviço de VPN. A ideia foi pegar o trabalho de endurecimento de privacidade do Tor Browser e tirar a parte da rede Tor — deixando um navegador com configurações robustas de privacidade, mas com velocidade normal. A proposta é ser usado junto com uma VPN (de preferência a da própria Mullvad, mas funciona com qualquer uma). Você fica com uma navegação rápida e ao mesmo tempo bem protegida contra rastreamento.

Ponto fraco: como vem bem travado por padrão, pode dar trabalho em alguns sites. E, diferente do LibreWolf, não tem uma grande comunidade por trás.

Pale Moon — o conservador da turma

O Pale Moon é um caso à parte. Ele é tecnicamente baseado no Firefox, mas há tanto tempo que hoje já é considerado um fork independente — com o seu próprio motor, o Goanna, uma bifurcação do Gecko.A proposta é manter uma interface mais clássica, aquele estilo de navegador que o Firefox tinha antes de virar mais "moderno". Muita gente usa por nostalgia ou porque prefere a interface antiga mesmo. Quando alguém me pede para formatar um PC/notebook bem antigo, geralmente instalo esse navegador.

Ponto fraco: por ter se separado tanto do Firefox, ele não é compatível com as extensões modernas (as WebExtensions). Tem o próprio repositório de complementos, mas é bem mais limitado. Além disso, o suporte a alguns padrões web modernos pode ser inconsistente, o que causa problemas em sites mais novos.

Floorp — o japonês cheio de recursos

O Floorp é um fork do Firefox desenvolvido por um estudante universitário japonês. O que chama atenção é a quantidade de opções de personalização que ele oferece — layouts diferentes, barra de abas que pode ser movida para diferentes posições, painel lateral com funcionalidades extras.É um navegador para quem gosta de ajustar tudo. Você pode deixá-lo parecendo com Chrome, com Edge, com Firefox clássico — tem bastante liberdade visual.

Ponto fraco: por ter uma equipe bem pequena e estar em desenvolvimento ativo, pode apresentar alguns bugs aqui e ali. Nada que impeça o uso, mas vale ter em mente.

Zen Browser — o mais bonito da turma

O Zen Browser é um dos forks mais comentados atualmente — e com razão. A proposta dele é modernizar completamente a experiência de uso do Firefox. A primeira coisa que você nota é que as abas ficam na barra lateral vertical, não no topo. Em telas widescreen, que são a maioria hoje em dia, isso faz muito mais sentido: você usa o espaço horizontal para as abas e ganha mais espaço vertical para o conteúdo da página. Mas vai além das abas. O Zen tem divisão de tela bem antes de sua estreia no Firefox (você pode ver até quatro abas ao mesmo tempo), workspaces isolados para separar contextos (trabalho, pessoal, projetos), e uma função chamada Zen Glance que permite pré-visualizar uma aba sem sair da que você está.

A interface é bem cuidada, tem suporte a temas e modificações visuais, e ainda assim é baseado no Firefox — então as extensões todas funcionam normalmente.

Ponto fraco: ainda está em beta, então pode ter instabilidade ocasional. E as abas verticais são praticamente obrigatórias — quem prefere o modelo tradicional horizontal pode não se adaptar.


Qual escolher?

Depende muito do que você procura:

O legal é que todos eles têm em comum o fato de não serem baseados no Chromium. Em um mercado onde o Google está por trás do controle de boa parte dos navegadores, manter alternativas vivas é importante — tanto para a diversidade da web quanto para a sua privacidade.

Vale experimentar. A maioria funciona no Linux sem nenhum problema, e vários estão disponíveis como Flatpak no Flathub.