Se você usa Brave, já deve ter reparado que o navegador cresceu bastante nos últimos anos. Além do bloqueio de anúncios e rastreadores, hoje ele carrega carteira para criptomoedas, VPN, assistente de IA (Leo), Rewards, Talk, News e uma porção de outras funções que boa parte dos usuários nunca usa.
Foi justamente esse “inchaço” que motivou o lançamento do Brave Origin, uma versão minimalista do navegador que remove esses complementos e deixa o essencial: o motor Chromium, a interface do Brave e o Shields, o sistema de bloqueio de anúncios e rastreadores que é a grande razão de existir do navegador.
O que muda em relação ao Brave normal
O Brave Origin desativa ou remove recursos como:
- Leo AI;
- Brave Rewards e Brave Ads;
- Wallet e domínios Web3;
- VPN e Tor;
- News, Talk, Playlist e Speedreader;
- Wayback Machine, Web Discovery Project e, na versão Nightly para desktop, aliases de e-mail.
Tela do Brave Origin acessando um tradicional site da Internet brasileira. :-)
O que sobra é um navegador enxuto, rápido, com os mesmos patches de segurança do Chromium e as mesmas atualizações do Brave tradicional — só que sem os botões, abas e serviços que você não pediu.
Na versão independente, esses recursos são retirados da própria compilação, e não apenas escondidos no menu. Ela também deixa de enviar o ping diário de uso, logs de falha e a telemetria P3A.
Existem duas formas de usar o Origin: 1 - como aplicativo independente, com instalador separado, 2 - ou como um upgrade do Brave que você já tem instalado. No upgrade, surge um painel nas configurações para manter cada recurso desligado por padrão e reativá-lo se você mudar de ideia.
Por que pagar por um navegador “com menos coisas”?
Essa é a parte que gerou discussão. Em Windows e macOS, o Brave Origin custa uma taxa única de US$ 59,99. A licença funciona tanto no aplicativo independente quanto no upgrade do Brave existente. O Brave tradicional, por sua vez, continua gratuito e permite esconder ou desativar muitos desses recursos manualmente.
E aqui entra a parte boa para quem usa Linux.
De graça para quem usa Linux
No Linux, o Brave Origin não custa nada. Basta instalar o pacote e, na primeira execução, clicar em “Proceed with Origin for free” para prosseguir gratuitamente. Não é necessário informar chave de compra.
A Brave explica que algumas distribuições já ofereciam compilações parecidas, com recursos opcionais desligados. Ao liberar o Origin sem custo no Linux, ela busca manter uma experiência consistente entre as distribuições.
Instalando via APT (Ubuntu, Debian e Linux Mint)
sudo apt install curl
sudo curl -fsSLo /usr/share/keyrings/brave-browser-archive-keyring.gpg \
https://brave-browser-apt-release.s3.brave.com/brave-browser-archive-keyring.gpg
sudo curl -fsSLo /etc/apt/sources.list.d/brave-browser-release.sources \
https://brave-browser-apt-release.s3.brave.com/brave-browser.sources
sudo apt update
sudo apt install brave-origin Instalando via DNF (Fedora)
sudo dnf install dnf-plugins-core
sudo dnf config-manager addrepo --from-repofile=https://brave-browser-rpm-release.s3.brave.com/brave-browser.repo
sudo dnf install brave-origin Instalando via Zypper (openSUSE)
sudo zypper addrepo https://brave-browser-rpm-release.s3.brave.com/brave-browser.repo
sudo zypper install brave-origin Também há instruções oficiais para Arch e Fedora Atomic. Depois, abra o Brave Origin pelo menu de aplicativos e escolha a opção gratuita exibida na primeira inicialização.
Se você já usa o Brave normal e prefere não instalar outro aplicativo, vá em Configurações > Sistema > Brave Origin e selecione a opção para prosseguir gratuitamente no Linux. Se um dia quiser voltar ao Brave comum, é possível desabilitar o Origin em brave://flags/#brave-origin e reiniciar o navegador.
Vale a pena trocar?
Se o seu uso é basicamente “abrir abas, navegar e bloquear anúncios”, o Origin entrega exatamente isso, sem funções que você não pretende usar. Não é uma promessa de proteção milagrosa: o grande diferencial de privacidade continua sendo o Brave Shields, também presente no Brave normal.
Quem usa Leo AI, VPN, Rewards, carteira ou Tor no dia a dia provavelmente ficará melhor no Brave tradicional. Para os demais, o Origin é uma opção oficial, gratuita no Linux e muito coerente com a filosofia de instalar apenas o que faz sentido.
No fim das contas, é mais uma escolha na mão do usuário — e, no Linux, essa escolha não custa nada.
Download e instruções para outras distribuições:Brave Origin para Linux.